A co-dependência familiar, diante do usuário de drogas.

Por em 24 fev, 2010 em Drogas | 0 comentários

É incrível o quanto a vida pode nos ensinar. Quanto mais vivemos mais aprendemos. Muitos viverem a reclamar de suas situações presentes, não há nenhuma pessoa, cuja saúde mental esteja perfeita, que seja um candidato a morrer neste instante. Isso significa que, apesar das dores, a vida é extremamente maravilhosa, principalmente por ser ela a essência da nossa existência. É exatamente esta essência que não queremos nem podemos perder, pois é ela que nos dá o desejo de permanecermos aqui neste pequeno lapso de tempo que nos é dado.

Gwendolyn Brooks escreveu: “viva intensamente cada instante. Logo ele se vai. E , seja dor ou riqueza, não voltara outra vez em idêntico disfarce” Uma coisa porém não podemos negar a vida é uma vida de dores, nascemos e vivemos sob o “signo” da dor, as vezes muito mais de alma física, e se tem algo com o qual não sabemos conviver é com a dor, sempre que a sentimos queremos nos livrar dela imediatamente, é a síndrome do “doril”, do alívio imediato, mas quase sempre a dor tem um início, um ápice( quando a dor se aprofunda intensamente ), para então chegar ao fim. O relacionamento entre a família e o dependente é uma relação extremamente dolorosa. A família sente as dores do fracasso, da vergonha e do preconceito. Sente-se as vezes traída por quem amam. A familia dependente sente as mesmas dores do dependente usuário de drogas. E ambos buscam um meio eficaz de fulga.

A primeira fuga da família vem através da negação, ela tem certeza que todos os filhos dos vizinhos tem problemas menos o seu, ( cuidado as vezes o melhor jeito de conseguir um inimigo é dizendo aos pais que seu filho esta com problemas de envolvimento com drogas); superada a fase da negação e a realidade vindo à tona refugiam-se então no “circo” do desespero, afinal eles poderiam imaginar tudo, menos ter um filho dependente de drogas. Na fase a tendência por parte da família é de agressividade e muitas cobranças.

A fase seguinte é a barganha. Tentam de tudo para mostrar ao filho que são os melhores pais do mundo, oferecem normalmente o que poderiam cumprir, como viagens (de preferência para outros estados ou até mesmos fora do país), carro, dinheiro, mudam o filho de escola, etc.

Quando nada disso adianta e infelizmente é o que normalmente acontece, vem então a terceira fase que é a da depressão. Uma angustia profunda, muitas emoções negativas, uma fase que atinge em cheio o dependente e pode causar certa descompensação levando o adicto a pensar na possibilidade de tratamento ou o que é mais provável levá-lo ainda mais para o fundo do poço.

A ira pode se manifestar de duas maneiras. A primeira é que podemos estar com muita raiva sem o saber. Os pais as vezes ficam profundamente ressentidos com os filhos, mas disfarçam esse ressentimento dando-lhes carinho excessivo e agindo com uma sensatez disciplinada. Afirmação do tipo: “nós o amamos como você é”pode na realidade esconder decepção e raiva.

O outro aspecto é: como os pais acham que já fizeram tudo que lhe era possível, partem então para liberar sua agressividade contra o dependente químico. Lembro-me de um jovem de 19 anos que chegou no meu consultório para o tratamento com vários pontos cirúrgicos na cabeça, por ter levado uma pancada de seu pai com um pedaço de cano.

Somente quando a família percebe que nada disso resolve é que vem a ultima fase que é a da aceitação. Este é o momento do Tratamento para o dependente e família. É quando conseguimos encarar o adicto como doente e a dependência como uma doença e paremos de vê-los como um delinqüente como também a nossa sociedade o vê. Entender sua condição e necessidade de ajuda, para sair desta e, principalmente, entender que ele entrou nessa, não por que a família é pior ou melhor, mas sim, porque ele quis esta condição de adicto.

De uma forma ou outra foi ele quem procurou e isto por um motivo muito simples ele também necessita de alivio para suas dores e foi na droga que ele alcançou seu alvo.

O sofrimento, que a familia co-dependente vive e sofre, essa vida tornou-se em dor e qualquer busca por alivio imediato será apenas um paliativo às vezes perigoso e inconseqüente. Mas não tenha dúvidas que sua dor está chegando ao fim, pelo menos no que diz respeito à dor da dependência, basta você saber fazer o adicto assumir suas responsabilidades e “nós” como família aceitar a dependência como uma doença a as drogas como uma ocorrência, infelizmente, normal em nossa sociedade atual. E que muitas das vezes o acompanhamento psicologico é uma das saidas para se entender os problemas do dependente quimico e como se portar diante dos problemas estabelecidos pela doença.

E, acima de tudo, aprender a VIVER E DEIXAR VIVER.

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