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A co-dependência familiar, diante do usuário de drogas.

É incrível o quanto a vida pode nos ensinar. Quanto mais vivemos mais aprendemos. Muitos viverem a reclamar de suas situações presentes, não há nenhuma pessoa, cuja saúde mental esteja perfeita, que seja um candidato a morrer neste instante. Isso significa que, apesar das dores, a vida é extremamente maravilhosa, principalmente por ser ela a essência da nossa existência. É exatamente esta essência que não queremos nem podemos perder, pois é ela que nos dá o desejo de permanecermos aqui neste pequeno lapso de tempo que nos é dado.

Gwendolyn Brooks escreveu: “viva intensamente cada instante. Logo ele se vai. E , seja dor ou riqueza, não voltara outra vez em idêntico disfarce” Uma coisa porém não podemos negar a vida é uma vida de dores, nascemos e vivemos sob o “signo” da dor, as vezes muito mais de alma física, e se tem algo com o qual não sabemos conviver é com a dor, sempre que a sentimos queremos nos livrar dela imediatamente, é a síndrome do “doril”, do alívio imediato, mas quase sempre a dor tem um início, um ápice( quando a dor se aprofunda intensamente ), para então chegar ao fim. O relacionamento entre a família e o dependente é uma relação extremamente dolorosa. A família sente as dores do fracasso, da vergonha e do preconceito. Sente-se as vezes traída por quem amam. A familia dependente sente as mesmas dores do dependente usuário de drogas. E ambos buscam um meio eficaz de fulga.

A primeira fuga da família vem através da negação, ela tem certeza que todos os filhos dos vizinhos tem problemas menos o seu, ( cuidado as vezes o melhor jeito de conseguir um inimigo é dizendo aos pais que seu filho esta com problemas de envolvimento com drogas); superada a fase da negação e a realidade vindo à tona refugiam-se então no “circo” do desespero, afinal eles poderiam imaginar tudo, menos ter um filho dependente de drogas. Na fase a tendência por parte da família é de agressividade e muitas cobranças.

A fase seguinte é a barganha. Tentam de tudo para mostrar ao filho que são os melhores pais do mundo, oferecem normalmente o que poderiam cumprir, como viagens (de preferência para outros estados ou até mesmos fora do país), carro, dinheiro, mudam o filho de escola, etc.

Quando nada disso adianta e infelizmente é o que normalmente acontece, vem então a terceira fase que é a da depressão. Uma angustia profunda, muitas emoções negativas, uma fase que atinge em cheio o dependente e pode causar certa descompensação levando o adicto a pensar na possibilidade de tratamento ou o que é mais provável levá-lo ainda mais para o fundo do poço.

A ira pode se manifestar de duas maneiras. A primeira é que podemos estar com muita raiva sem o saber. Os pais as vezes ficam profundamente ressentidos com os filhos, mas disfarçam esse ressentimento dando-lhes carinho excessivo e agindo com uma sensatez disciplinada. Afirmação do tipo: “nós o amamos como você é”pode na realidade esconder decepção e raiva.

O outro aspecto é: como os pais acham que já fizeram tudo que lhe era possível, partem então para liberar sua agressividade contra o dependente químico. Lembro-me de um jovem de 19 anos que chegou no meu consultório para o tratamento com vários pontos cirúrgicos na cabeça, por ter levado uma pancada de seu pai com um pedaço de cano.

Somente quando a família percebe que nada disso resolve é que vem a ultima fase que é a da aceitação. Este é o momento do Tratamento para o dependente e família. É quando conseguimos encarar o adicto como doente e a dependência como uma doença e paremos de vê-los como um delinqüente como também a nossa sociedade o vê. Entender sua condição e necessidade de ajuda, para sair desta e, principalmente, entender que ele entrou nessa, não por que a família é pior ou melhor, mas sim, porque ele quis esta condição de adicto.

De uma forma ou outra foi ele quem procurou e isto por um motivo muito simples ele também necessita de alivio para suas dores e foi na droga que ele alcançou seu alvo.

O sofrimento, que a familia co-dependente vive e sofre, essa vida tornou-se em dor e qualquer busca por alivio imediato será apenas um paliativo às vezes perigoso e inconseqüente. Mas não tenha dúvidas que sua dor está chegando ao fim, pelo menos no que diz respeito à dor da dependência, basta você saber fazer o adicto assumir suas responsabilidades e “nós” como família aceitar a dependência como uma doença a as drogas como uma ocorrência, infelizmente, normal em nossa sociedade atual. E que muitas das vezes o acompanhamento psicologico é uma das saidas para se entender os problemas do dependente quimico e como se portar diante dos problemas estabelecidos pela doença.

E, acima de tudo, aprender a VIVER E DEIXAR VIVER.

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5 Comentriosto “A co-dependência familiar, diante do usuário de drogas.”

  1. Mara disse:

    Fernanda, meu filho de 21 anos esta usando drogas, como posso fazer para convense-lo para fazer o tratamento? Minha familia esta acabada e fazemos tudo pra agrada-lo, assim pensamos que ele possa parar de usar.

  2. Fernanda Nogueira disse:

    Boa tarde.
    Fico muito feliz, pois você ja esta dando o primeiro passo para um tratamento.MARA, as pessoas pensavam que cuidando bem de seus filhos, dando-lhes o melhor, amando-os, superprotegendo-os dos perigos do cotidiano, tudo dara certo, o sucesso deles como pessoas estaria garantido, que apenas aqueles abandonados ou deixados de lado apresentariam problemas. Mas com o passar dos tempos, com o crescimento dos filhos, com a mudança do mundo os pais começaram a notar que não é assim que acontece.
    A experimentação é característica da fase da adolescência, é nessa fase que testam todos seus limites, o mundo é testado e tudo o que ele pode propiciar. O adolescente encontra a droga, não vê nela um risco verdadeiro e aos poucos, vai se isolando em seu mundo e deixando de lado todas as outras coisas: amigos, família, educação, saúde, esporte, diversões, futuro.
    Muitas famílias acham o que acontece na TV, nos jornais e nas casas dos outros nunca ira acontecer com ninguem dentro de sua casa. Até que um dia chega a sua vez. Aí percebe forçosamente. Tem que admitir e passa a viver com o desamparo, com o descaso, com a podridão, a escravidão de uma sociedade sem rumos, sem valores positivos, egoísta, impune e muitas vezes reforçadora de tudo aquilo que lutou a vida toda para ver e aceitar.
    Conversas, afeto, missas, terapias, cultos, viagens, mudanças de casa, lágrimas, dinheiro, carro, gritos, tapas, beijos podem até ajudar, mas não são suficientes. Existe um mundo aí fora e o jovem tem que sair por ele, tem que conquistá-lo. Este mundo está doente. Os pais precisam ajudar os jovens a viver nele, sem que se contaminem, fazer escolhas que não irão, com certeza retirar a podridão do mundo, mas certamente irão afastá-los de seu mundo. Os trincos, cadeados, muros, portões eletrônicos, celulares, remédios , motoristas particulares, super proteção, não os deixa imunes aos perigos e sujeiras. Os jovens vão aos poucos conhecendo, entrando e minando os sistemas de defesa e quando os pais dão se conta percebem que tem que lutar sozinhos.

    As drogas andam soltas pelas ruas. Vão a escola, danceterias, clubes, igrejas, bares, residências. As pessoas pensam que para adquirí-las é preciso enfrentar a marginalidade, mas isso não é real. Vivemos no mundo do “DELIVERY” também em relação às drogas. Basta um telefonema e elas chegam às nossas mãos com a mesma facilidade com que pedimos uma pizza no final de semana.
    Como terapeuta, busco compreender a dependência em si, bem como seus reflexos, na família, nas relações entre seus membros e sua relação com o mundo. Quando uma pessoa manifesta algum tipo de dependência é um contexto social e familiar que isso ocorre.
    A família que consegue se organizar com eficácia, busca ajuda e reconhece sua dificuldade, não transferindo ao dependente toda a carga, fazendo dele o “saco de lixo da família”, consegue crescer, avançar e encontrar novas formas de relacionamento intra e extra familiar.
    MARA, para que o tratamento de seu filho ocorra, primeiramente seu filho tem que querer e posteriormente procurar uma ajuda de um profissinal capacitado em dependencia quimica. Aguardo sua ligação pra que possamos marcar uma consulta com seu filho e a família. Obridado pelo contato.

    Fernanda Nogueira.

  3. laura disse:

    bem meu namorado está usando cocaina nossa e assim quando ele me disse parece que entrei em um buraco fundo sem fim junto a ele não durmo anoite pois fico preocupada ele quer parar mais não aceita tratamento pois sozinho e dificil sei que precisa de ajuda psicologica porque sofre de uma forte depressão mais um dia ele me mostrou o saquinho com um pó branco perguntou se eu sabia o que era eu disse que sim mais me sentir muito mal aquele dia minha gastrite anda atacada fico sentindo tristeza e tentando achar meio de ajuda-lo pois ele vive me pedindo socorro e não tenho mais vontade de nada nem tenho fome e vontade de sorrir mais estou lendo relatos de dependente e de ex-dependentes para tentar ajuda-lo mais e muito dificil mais espero em Deus que ele consiga
    beijos

  4. Meire Pimenta disse:

    Fernanda, minha filha (se casou e tem um filho de 5 anos0 com um usuário de drogas. Até onde eu sei ele usa drogas desde os 11 anos, tem agora 34; ele inicia e para os tratamentos sempre, agora uma vez mais, vai ao fundo do poço e leva junto minha filha. Já não questiono mais a escolha desse marido e pai, o que quero saber é como ajudar minha filha com palavras, pois tenho sempre a sensaçao de estar metendo os pés pelas mãos, pois nunca sei o que dizer e o que digo nao é o q ela quer ouvir. Ja chegou em um ponto dificil até de ajudar, gostaria muito de salvar minha filha, voce pode me ajudar?

  5. Maria da Consolação disse:

    Fernanda, meu esposo já se tornou mu alcólotra.Embora não admitirser alcólatra já está aceitando falar em tratamento. Gostaria de saber com qual especialista pode estar tratando.
    Olha nossa relação já está no limite, ele está gastando praticamente tudo que ganha com bebida.É motorista de transporte de carga perigosa(transporta combustível para a grande BH.Este trabalho dele me preocupa muito, poisnão tenho mais paciência com ele, as brigas estão constantes, ele pertuba a minha concentração,meu sono já está ficando comprometido, estou acordando as 3h da manhã e naõ durmo mais e trabalho âs 7h.Ele bebe quando chega do serviço para dormir, pois lúcido não consegue, nas folgas do sábado e domingo bebe todo o dia.
    Fernada, o que devo fazer? Como convencê-lo ao tratamento, pois esta aceitação que disse acredito que é só para que em não o pertube muito e para que eu pague as contas.
    Obrigada,
    Consolação

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